11 de novembro de 2009

TPM


Sensação que o mundo vai acabar antes da menstruação... É isto que a maioria das mulheres que tem TPM sente. Também chamada de desordem disfórica pré-menstrual, ou carinhosamente TPM, atinge aproximadamente 75% das mulheres. No entanto apenas 8% das mulheres têm sintomas muito intensos. Nesses casos, há brigas com a melhor amiga, com o namorado, com o MUNDO!
Se você tem ou convive com alguém que sofre desse mal, respire fundo, conte até mil, até dois mil. É só esperar que esses dias de horror passem e você volte a viver em meio a paz e harmonia.

DÉBORA EM... MEU MUNDO CAIU

Acordei com a música “cedo ou tarde” do Nxzero que é o toque do despertador do meu celular. Já passava das seis horas da manhã. Ainda de olhos fechados, não conseguia encontrar o botão para desligar a música. Arremessei o celular na parede e segundos depois quis me socar por isso. Tropecei em uma sandália que tinha usado no dia anterior durante aniversário de quinze anos da Bia, uma garota da minha sala. Joguei a sandália também na parede, mas dessa vez, não me arrependi. Prendi o cabelo com um elástico e fui lavar o rosto.
- Bom dia! – Raquel, minha irmã, perguntou.
- Bom dia por quê?! – perguntei irritada – Vai trocar de roupa logo se não eu vou sair sem você.

2 de novembro de 2009

Quinze anos


31 de outubro de 2009

Os opostos se atraem

Com certeza existem garotos que choram à toa e garotas que odeiam bater papo ao telefone. Mas esquecendo as exceções e generalizando os casos, não dá pra negar que existe um pouco – ou um monte – de diferenças entre o comportamento masculino e o feminino. E é claro que essas diferenças podem gerar um bocado de problemas e discussões. No entanto também é possível aprender com elas e ter um relacionamento sem tantas neuras.
 É porque nascemos diferentes? É uma questão cultural? Não vamos discorrer sobre isso, até porque nem os cientistas sabem direito a resposta.

Jéssica em... Sinceridade masculina

  Léo estava me esperando há horas no sofá da sala. Troquei de roupa pelo menos 369 vezes até ficar com a primeira opção que tinha vestido. Um vestidinho balône cor de rosa e uma bota sem salto preta. Ainda não estava convicta de que minha seleção era a melhor escolha, então recorri ao meu namorado.
- Como estou?  - perguntei dando uma rodadinha enquanto ele segurava minha mão logo acima da minha cabeça. Sua expressão não estava muito satisfeita – O que foi?
- Nada! Você está linda!
Fiz uma careta, ele não parecia estar sendo muito sincero.
- Leonardo Castro! – falei – Fala a verdade! Eu to gorda?
- Gorda?! Claro que não, lindinha!
- Lindinha? Lindinha?!
Ele ficou confuso.
- Qual o problema?
- Leonardo Castro, lindinha não é um adjetivo apropriado para elogios. Lindinha vem do diminutivo, menos que linda. Entendeu?
- Credo, Jéssica! Qualquer garota gosta desse elogio.
 Lancei um olhar fulminante para Léo, ele definitivamente perdia oportunidades excelentes de ficar com a boca fechada.
- Acontece, Leonardo Castro, que não sou qualquer garota!
- Você entendeu o que eu quis falar. Vamos logo ou não para o restaurante?
- Antes você tem que me responder com sinceridade…
- Que saco, Jess! Poxa, eu te chamo pra jantar e fica arrumando motivo pra brigar?
- Não to arrumando motivo pra brigar, só quero que me responda.
- Já respondi.
- Com sinceridade.
- Você é magra Jess, nada vai mudar isso.
- A questão não é ser magra, a questão é o que essa roupa está falando sobre mim.
- Não sabia que roupas falavam.
Ele tentou descontrair, mas confesso que não estava com muito humor para piadas.
- Sabia que o que você tem de bonitinho, tem de sem graça?
- Bonitinho? Bonitinho?! – ele imitou meu tom de voz – Jéssica Mendonça, bonitinho não é um elogio aprop… aprorpi… enfim… Bonitinho vem do diminutivo… - ele riu.
- Engraçadinho…
- Ué… você acabou de me chamar de sem graça e agora sou engraçadinho?
- Cala boca e vamos logo!
Puxei sua mão e fomos pra fora da casa, ouvi meu pai gritar do quintal:
- Juízo, hein?
- Claro! Não vou deixar sua filha se aproveitar da minha inocência! – Léo Brincou.
- Olha que eu sou perigosa… - sussurrei ao seu ouvido, mas meu pai não ouviu.
- Sei disso – ele respondeu me entregando o capacete e sentando na moto – Vou me cuidar!
 Segurei meu vestido enquanto ele tentava voar durante a viajem. Chegamos ao restaurante, fui ao toalete para arrumar o cabelo enquanto ele se sentava à nossa mesa.
 Quando voltei vi Leonardo passando um guardanapo no decote de uma garçonete morena, devia ter seus dezoito anos. Fiz uma cara de raiva para ele me sentei ao seu lado, aproximadamente um minuto depois ele terminou o “serviço” e me encarou.
- Posso saber o que foi aquilo? – perguntei.
- Eu levantei bem na hora que ela estava passando com uma tigela de molho e sujou o uniforme.
- Ah… que fofo! – ironizei – Tão solidário…
- Pelo amor de Deus, Jéssica!
- Pelo amor de Deus? Era só pedir desculpas!
- Desculpe se a minha educação te irrita!

- Tá me chamando de mal educada?
- Eu não disse nada!
- Mas tava pensando…

- Se acha que consegue ler pensamentos, porque ainda pergunta?
- Então você estava mesmo pensando!
- NÃO! – ele estrilou – Vai começar com crise de ciúme?
- Eu não estou com ciúme! – ele me encarou e eu revirei os olhos – Tá… só um pouquinho.
Léo riu.
- O que vão querer?
A mesma garçonete perguntou olhando para o MEU namorado. Passei o braço ao redor dos ombros de Léo.
- Primeiro, queremos ser servidos por aquele garçom – apontei para o rapaz loiro com o cabelo quase nos ombros, Léo me olhou desconfiado – Não é nada pessoal, querida! É que eu e o MEU NAMORADO já viemos aqui uma vez e… - percebi que estava falando demais – Quer saber? Não preciso explicar! Faça o que eu te pedi, por favor?
 Ela olhou para Léo, como se ele fosse me interromper ou pedir que ela ficasse. É lógico que ele tem amor a vida e apenas completou:
- Faça o que ela pediu. – disse ele educadamente. Não pude esconder meu risinho de satisfação. Onde já se viu? Dar em cima de um cara que está acompanhado!
- Hum… claro! – ela respondeu surpresa.
- Posso saber o porquê da preferência pelo loiro? – Léo perguntou.
- Você está com ciúmes? – perguntei, gostando da possibilidade.
- Não. Claro que não!
- Ótimo! – exclamei já sem humor.
- O que vão pedir? – o garçom loiro perguntou, sorri pra ele, provocando Léo.
- Opção 7 pra mim. E você? – Léo me perguntou.
 - Não sei… acho que esse garçom deve ter uma sugestão.
- Indico a opção nove. – O loiro falou.
- Perfeito, opção nove pra mim. – entreguei o menu. O garçom saiu para fazer o pedido.
- O significa isso, Jéssica? Primeiro briga comigo por estar ajudando uma garçonete e agora está paquerando garçom?
- Direitos iguais, meu bem! – provoquei.
- Não estou gostando desse tom de voz. Essa não é você!
- Qual é o problema? Você não sente nem ciúmes de mim.
- Essa é a questão? Por isso paquerou o garçom?
- Foi um dos motivos. – confessei.
- Fala sério, Jess! Sabe que eu te amo!
- Tem tanta gente que ama e faz coisa errada…
- Jéssica, se você está aí dentro, mande um sinal! – ele brincou falando ao meu ouvido.
- Ai! – falei encostando o ombro na orelha. – Eu to aqui!
- Claro que eu to com ciúme, sinto ciúme sempre, só não sou histérico.
- Então, eu sou histérica?
- Caraca! Tá querendo brigar hoje? É isso?
Respirei fundo. Eu realmente não estava muito agradável aquela noite. Passei a mão no seu rosto e o beijei.
- Desculpa… - falei dengosa.
- Tá desculpada! – ele disse automaticamente.
Terminamos a refeição e andamos pela pracinha ao lado do restaurante. Estávamos de mãos dadas. Um vento forte “inflou” meu vestido balonê.
- Opa... – falei sem graça.
- Cuidado pro balão não voar… - ele fez o comentário suuuper desnecessário.
- BALÃO? – perguntei séria.
- Esse é o nome do estilo do vestido, não é?
- É Balonê! – corrigi – Eu to gorda, não estou?
- Claro que não!
- Pode falar… eu não vou ficar chateada.
Ele pensou um pouco.
- Pra falar a verdade, gorda você não tá, mas esse vestido podia ser um pouco mais apertado, tá com muito volume, aí parece que você tá…
- Gorda?
- Só um pouco.
- Você é um incessível!
Ele arregalou os olhos surpreso.
- Mas você disse que…
- Não interessa! Você mentiu!
- Então porque você perguntou se não queria ouvir a resposta?
- Ah! – gritei.
Ele se aproximou e passou a mão na minha cintura.
- Garota, você me tira do sério! – ele disse passando sua mão livre no meu pescoço.
 Sempre foi assim, é só eu ficar irritada e Léo usa a técnica, segundo ele “infalível” para me acalmar.
- Isso é golpe baixo! – protestei em meio aos beijos, sem a mínima vontade de fazê-lo parar.
- Eu sei, mas eu to adorando!
Nos beijamos por um longo tempo, poderiam ter sido horas! Tudo valia a pena para continuar namorando à meia noite sob a luz do luar.
28 de outubro de 2009

Cola

Primeiramente, não estou fazendo apologia a esse assunto!
É a técnica mais antiga do mundo estudantil. A tão temida pelos professores que passam madrugadas planejando as provas, a tão desejada pelos alunos que não sabem definitivamente nada sobre a matéria.
Uma olhadinha pro lado, pra trás, um papelzinho no casaco ou até na saia são suficientes para burlar as normas escolares. Com a tecnologia de hoje em dia, a cola tem se tornado cada vez mais frequente, estudantes recebem informações até através de mensagem de texto!
Porém, se por um lado os estudantes estão tendo lá suas vantagens com a tecnologia, as escolas também! Câmeras de segurança, que não só apenas reproduzem, mas também gravam imagens.
Que atire a primeira pedra quem nunca, colou ou pensou em colar. Mesmo que uma olhada involuntária para o lado exatamente na questão em que estava com dúvida. O que muita gente não sabe, é que hoje, a cola pode ser uma salvação, a chave que evita notas baixas, mas a pessoa que cola, se habitua a não estudar e apenas conta com a sorte, e isso pode acarretar muitos problemas futuros.


CRISTINA...
COLA X ESTUDAR


Cheguei atrasada na aula, no dia da prova de física. Jess estava com o queixo apoiado entre as mãos, sua cabeça estava distante, talvez não tão distante assim, só algumas salas à direita, mas precisamente na sala do segundo ano. Dei um tapa em sua nuca.
- Ai, idiota! – ela estrilou.
- Acorda pra vida, garota!
Sentei na carteira atrás dela e começamos a bater papo.
- To preocupada, - ela admitiu.
- Com o que? Seu namoro? Me conta… como seu pai reagiu?
Ela riu pra si como se tivesse algo realmente engraçado pra contar.
- Pior do que imaginava!
- Ele não deixou?
- Deixou, mas é que… ah… depois eu conto sobre meu pai ciumento e o mico que ele me fez pagar. Estou preocupada com outra coisa. Você estudou?
- Não, - respondi fazendo uma careta.
- Nem eu, – ela pegou uma presilha e colocou na franja – o Léo foi lá em casa ontem pra assistir a final da taça Guanabara com meu pai, desde que eles se conheceram é Flamengo pra cá, Flamengo pra lá… AFF! Mas ai… o jogo acabou e agente ficou um tempo no portão. Minha cabeça tava longe, nem consegui estudar.
- Eu não estudei por que tava muito cansada.
- Falta de vergonha na cara seria a expressão certa! – Débora falou se aproximando de nós, não tinha reparado que ela já estava em sala.
- A Bruna me ligou, não vai vir hoje à aula. Tá se sentindo mal. – falou Jess mudando de assunto. – Déb… - ela disse com a voz dengosa.
- Nem vem de graça! – Débora estrilou. – Não vou te dar as respostas da prova!
- Não tem problema – Jess exclamou, pegou um lenço de papel em sua mochila, nele estavam escritas todas as fórmulas do capítulo da prova – Eu fiz minha própria cola!
Ela me passou o papel discretamente por baixo da mesa.
- Você é um gênio! E rebelde! Quem é você e o que fez com a Jéssica?
Rimos juntas.
- Vocês não prestam! – falou Déb.
- Sabemos disso!
O diretor entrou na sala e entregou as provas à professora.
- Guardem o material. Só lápis, caneta e borracha sobre da mesa.
Ordenou o diretor. Entregaram as avaliações, eu não sabia absolutamente nada. Eram só cálculos, problemas e palavras difíceis. A sorte é que todas as questões eram de múltipla escolha. Alguns minutos passaram e eu chutei a cadeira da Jéssica.
- Qual é a um? – sussurrei ao ver que a professora tinha ido pro fundo da sala e tinha um aluno conversando com o diretor na porta.
- c, – ela respondeu – a dois, a sete e a nove são “b”.
- E o resto?
- Espera, né?
- Me empresta o papel!
Ela passou a cola por debaixo da mesa, olhei a fórmula que resolveria as questões quatro e cinco. Ao meu lado vi que Débora fazia seus cálculos com facilidade, notei que ela já havia terminado a questão dez e a três. Fiz um esforço pra enxergar qual letra ela tinha marcado.
- Perdeu alguma coisa, Ivanna Cristina? – a professora perguntou, esquecendo-se que só gosto que me chamem pelo segundo nome. – Vire pra frente, na próxima vez vou zerar sua prova.
- Eu não estava fazendo nada! – menti descaradamente.
- Ahãm, sei! Você nunca faz nada.
- Ainda bem que a senhora sabe! – exclamei e alguns alunos riram.
O diretor entrou novamente na sala.
- Professora, pode ir tomar um cafezinho. Vou vigiar essa turma! – ele disse e a turma ficou aterrorizada, até porque, eu e Jess não éramos as únicas trocando informações. – Se eu pegar alguém colando, vou zerar a prova e dar três dias de suspensão.
Déb nos olhou preocupada, faltavam as respostas: três, seis, oito, nove e dez.
- Já fez o cálculo da três? – Jess perguntou, com sua voz não tão baixa como deveria. Sentei no lenço de papel e o puxei um pouco para que entrasse em meu campo de visão. – E a dez?
- Tentei ver da Déb, mas não deu.
- Débora, qual é a dez? – Jess perguntou.
Déb se irritou e inclinou um pouco a cabeça pra nos encarar com uma cara feia.
- Quem mandou não estudar? Usem o lencinho mágico! – debochou.
- Poxa, Déb, só vire a prova um pouco pra cá. – sussurrei.
- Jéssica, Débora e Ivanna Cristina! – O diretor falou com autoridade. – As três, levantem-se e coloquem as provas sobre a mesa.
- Mas diretor Décio, agente não fez nada! – Jess mentiu, ela estava ficando mais convincente nisso. – Eu só pedi a borracha emprestada!
- Porque precisaria de borracha se você só está com canetas sobre a mesa?
Esse diretor não era fácil de enganar.
- Diretor eu não fiz nada! – Débora exclamou, a turma estava em silêncio sepulcral – Só disse que não tinha borracha pra emprestar!
- Vocês não tinham uma desculpa melhor? – ele se aproximou – Andem, levantem!
Nós três levantamos ao mesmo tempo e Déb nos fuzilou com o olhar. Esqueci do papel que eu estava sentada e o diretor o encontrou.
- Olha só! Eu estou produzindo papel na bunda! – exclamei e metade da turma caiu na gargalhada, mas o diretor ficou ainda mais sério.
- Sua bunda então parece mais inteligente que você, sabe até as fórmulas da prova. – ironizou enquanto analisava a cola.
- Pois é… quando eu nasci, o médico olhou pra minha bunda e disse… essa é uma bunda super dotada! Sério, a minha mãe perguntava, cadê o bumbum da mamãe? E ela respondia por cartas, então, ter fórmulas nesse papel não me surpreende, não tenho poder sobre a minha bunda!
Alguns alunos levaram pro lado malicioso.
- Sabe o que me surpreende, Ivanna?
- Cristina!!! – estrilei.
- Tá, Cristina! O que me surpreende é a sua cara de pau!
- Engraçado, sobre ela o médico não disse nada de especial.
- Me esperem na diretoria, seus pais vão gostar muito de saber disso - Obedecemos em silêncio. Minutos depois, Décio veio conversar. Sentou na sua cadeira e nos encarou.
- Olha, eu quero dizer que não tenho nada a ver com isso! – falou Débora.
- Calma, terá sua vez de falar, – o diretor falou me observando – O que tem a dizer em defesa de suas amigas?
Respirei fundo.
- Ninguém estava colando. Apenas trocando informações necessárias no momento da avaliação!
- Ual! Tirou essa idéia de onde?
- Antes que pense, não foi da bunda!
- Será que poderia parar com esse palavreado chulo?
- Qual o problema? Bun-da! Todo mundo tem! Até o senhor apesar de não parecer, talvez com uma lupa agente enxergue.
- Você está brincando com a sorte garota! Eu poderia te dar uma suspensão de duas semanas por isso.
- Tá, pode me dar a suspensão, mas não pra minhas amigas. A Jess e a Débora não fizeram nada! A Déb estava mesmo emprestando a borracha, é que a Jess tem mania de sentir o cheiro de tudo. Quando está nervosa, tem que cheirar borracha. – falei. Pelo menos a última parte não era mentira, a Jess realmente adorava cheirar borracha!
- Isso é verdade, Jéssica? – o diretor perguntou, fiz uma cara pra ela.
- É… - ela mentiu – Poxa diretor, não zere a nossa prova. Nem a da Cris, ela não fez por mal. Até parece que o senhor nunca colou! Dê uma chance, outra prova valendo seis ou sete.
- Não posso fazer isso. O que a Cristina fez foi errado, não pode passar em branco.
- AH! – Jess se desesperou. – Não vou deixar ela se ferrar sozinha! Eu fiz aquele papel, pode ver! É a minha letra. É que eu comecei a namorar há pouco tempo e meu pai nunca foi muito o estilo compreensivo, se eu tirasse nota baixa, ele poderia me proibir de namorar. Mas a Débora não teve nada a ver com isso, eu a Cris que estávamos pedindo cola, mas no momento que o senhor viu, ela não queria dar. Então, pode punir nós duas. Deixe a Déb de fora, ela estudou muito pra essa prova e não pode ficar com zero, até porque, ela não fez nada!
O diretor ficou perplexo com o discurso moralmente correto, até eu me assustei!
- Débora, pode voltar e terminar sua prova.
- Mas diretor e elas?
- Vou cuidar desse assunto, agora vá!
Débora obedeceu.
- Por favor, eu não posso ficar com zero! – Jess disse – Vou perder o namorado!
- Pensasse nisso antes de colar. Não posso passar uma borracha nisso tudo, mas acho que tenho a solução pra vocês. Vou aplicar um simulado de todas as matérias daqui à um mês. Especialmente pra vocês ele vai valer peso dois em física, ou seja, se tirarem sete, será como se na prova de hoje tivessem tirado sete. Vou chamar seu pai aqui e tentar convencê-lo a não acabar com o namoro, e sobre você senhorita Cristina, cuidado com a sua língua se não um dia alguém vai arrancá-la de você.
Coloquei a mão na boca.
- Prometo que vou tentar calar a boca! – falei.
- Amadoras! – ele disse nos surpreendendo – É o que eu sempre digo: se é pra colar, tem que saber colar!
- Não vamos precisar aprender. Vamos estudar! – Jess falou com certo orgulho, mas sem vontade nenhuma de cumprir a promessa.
- Era isso que eu queria ouvir! – admitiu Décio – Não vou dar suspensão, mas seus pais vão ficar sabendo.
Dito e feito. Meu pai quase arrancou meus cabelos com o cortador de grama quando descobriu, me chamou de irresponsável e disse todo aquele discurso paterno. O pai de Jess, xingou, reclamou, mas no fim não acabou com o namoro, mesmo que ele quisesse isso seria difícil de acontecer. No dia seguinte Jess veio pro meu apartamento, estávamos ouvindo música no computador. A campainha tocou, era Déb com uma bolsa gigante nas costas. Fomos até o quarto.
- Tenho um presente pra vocês, e ele está aqui dentro! – ela falou, eu e Jess ficamos eufóricas.
- O que é? É um livro?
- Chocolate?
- Cd?
- Não, bobinhas! – ela riu enquanto pegava algo de dentro da bolsa – Não acha que tá na hora de vocês tomarem vergonha na cara?
Ela jogou alguns livros de física sobre a cama. Eu e Jess nos encaramos e sorrimos em seguida, sabíamos que Déb estava certa.
- Então vamos lá, professora!

Futebol

Não há muito o que falar sobre futebol. Cada um tem seu time favorito, cada um torce como quer (até exageram, brigam, xingam, mas isso não vem ao caso).
O que antes era “coisa de homem”, agora está cada vez mais atraindo o público feminino. Bandeirinhas, árbitras, e até jogadoras! A mulher, como sempre, vem conquistando seu espaço, claro que ainda rola certo preconceito, ainda existem mulheres que não suportam futebol. Mas é impossível uma coisa agradar a todos. Os estádios contam cada vez mais com a presença feminina, e apesar dos que ainda consideram esse local impróprio, esse número só tende a aumentar.


BRUNA...
EU AMO O BOTAFOGO, MAS ELE ME ODEIA!


Tentei liga pra Cris diversas vezes, mas ela estava estudando para o simulado e mal conversamos. A Débora estava ocupada cuidando da irmã de cinco anos, e portanto não poderia sair comigo. Eu estava a fim de fazer alguma coisa diferente, ir pra um lugar diferente, mas sozinha não tinha graça.
Era o dia de um jogo entre Botafogo e Flamengo, mas meu pai estava sem dinheiro pra comprar o ingresso. Botafoguense roxa como sou, detesto assistir os jogos do meu time do coração pela TV. Pelo jeito, eu não tinha opção.
O telefone tocou.
- Oi Bruna! – ouvi o som estridente da voz de Jess.
- Você não ia pra Rio das Ostras esse fim de semana? – perguntei.
- Eu ia, mas meu pai marcou pra semana que vem.
- Que pena, o Léo ia junto?
- Ia. O pior que você não sabe por que ele desmarcou.
- Por quê?
- Léo comprou os ingressos pro jogo de hoje. Ele e meu pai estão amicíssimos!
Ela disse com certo sarcasmo.
- Achei que isso era bom, você morria de medo de que eles não se dessem bem.
- O Léo quando vem aqui, fala mais de Flamengo do que de mim.
- I… já tá em crise assim?
- Não é nada disso! O Léo tá dando mais atenção pro meu pai que pra mim.
- Não acredito! Você tá com ciúme do seu pai?
- Claro que não! Mas voltando ao assunto, resumindo, eles compraram quatro ingressos pro jogo.
- Porque quatro?
- Um amigo do meu pai ia, mas parece que a esposa não deixou. Então… tem um ingresso sobrando, eu conversei com meu pai e ele me deixou dar pra você.
- Sério?! Jura amiga?! Poxa, você ligou na hora certa, estava louca pra assistir esse jogo, – me lembrei de um detalhe importantíssimo – opa! Cartão vermelho na parada! Quando você disse quatro ingressos, são pra arquibancada…
- Do Flamengo.
- Ai, Jess!
- O que você queria? Que meu pai, flamenguista, comprasse ingresso pra arquibancada do Botafogo? Faça-me um favor, Bruna! E não reclama, porque você já tá no lucro.
- Tá né… o que eu não faço pra ver o Fogão jogar…
- Olha, eu tenho uma camisa oficial sobrando, se você quiser…
- Ah, não! Não teste minha paciência, Jéssica Mendonça!
- Ok, não está mais aqui quem falou. Só por favor, não vá com a do Botafogo, a não ser que queira voltar em pedacinhos pra casa.
- Ê favela!
- Favela nada! Se eu fosse com você na arquibancada do Botafogo com a camisa do Flamengo, não voltaria pra casa inteira, to mentindo? Aff, mas eu preferia ficar em casa, tomar um chocolate quente e namorar um pouquinho.
- Você não curte muito futebol.
- Você curte até demais!
- Vou me arrumar, daqui a pouco apareço por aí pra irmos juntas.
Desliguei o telefone minutos depois. Coloquei (sim!) a blusa do Botafogo, mas por cima dela vesti um casaco preto, digamos que o dia não estava o estilo que costumamos chamar de quente. Meu cabelo já estava na cintura, não reparei que tinha crescido tão rápido desde o último corte.
Chegamos ao Maracanã. Nunca estive perto de tantos flamenguistas.
- Qual é Bruna? Tente se divertir! – Jess disse após dar um selinho em Léo.
- To achando que alguém aí vai virar flamenguista… - Léo debochou.
- Nem morta! – protestei.
- Prometo que quando você morrer vou estender uma bandeira do Flamengo no seu caixão, - ele continuou zoando. Jéssica lhe deu um tapa no ombro.
- Credo! Não fale isso!
- Eu to brincando, amor!
Ele se aproximou e a beijou novamente. Nunca fui uma boa “seguradora de vela”, e sinceramente, detestava ter que prestar a esse papel. Mas a Jess estava tão feliz com ele que algumas horinhas não iriam me matar.
Entramos no estádio, já estava lotado! A única coisa que eu não gosto em estádios, é a muvuca, gente suada, gente xingando, mas como eu não presto atenção nisso, deixei meus olhos fixos no campo.
- Mengão Olê! Olê! Olê! – um cara gritou logo atrás de mim.
- Uma vez Flamengo, sempre Flamengo! – o pai da Jess cantou.
- Flamengo sempre eu hei de ser! – Léo cantarolou junto com seu “sogro”.
Jéssica estava com a expressão frustrada.
- Eu é que devia estar assim. – falei.
- Não! Que saco! To me sentindo trocada por um time de futebol.
- Isso não é verdade! Você está se sentindo trocada pelo seu pai! – debochei.
- Engraçadinha! – ela riu sem a mínima vontade. Logo Léo a abraçou bem apertado, ela fez um pouco de birra, mas depois de alguns beijos já estava mansinha… mansinha…
Mantive os olhos fixos no campo. Aproximadamente aos quinze minutos de jogo um dos jogadores do flamengo chegou com a bola perto do gol, perto demais pro meu gosto. Fez um passe pra alguém que estava livre, eu já sabia o que iria acontecer.
- GOOOOOL! GOOOL!!!! – a torcida gritou em coro. Diferente de todos, continuei sentada. Até Jess se animou e comemorou junto com Léo, apesar de detestar futebol.
Ok! Um a zero aos quinze minutos eu poderia suportar. Fiquei tão concentrada que nem reparei quando algum imbecil, idiota, infeliz, tacou um ovo podre nas minhas costas. Tentei procurar o individuo com minha visão periférica, obviamente não tive sucesso.
- Eca! – falei como se eu tivesse chupado um limão bem azedo.
- Quem foi filho da mãe que fez isso? – Jess perguntou.
- Se eu descobrisse… - falei entre os dentes.
- Tira o casaco.
- Não dá…
- Por que? Tá sem blusa por baixo?
- Não… pelo contrário. To com a camisa mais bonita do mundo!
- Não acredito que você…
Confirmei com a cabeça mostrando um pedacinho da blusa embaixo do casaco.
- É um hábito.
- Então acostume-se com o cheiro de ovo, idiota!
Revirei os olhos e continuei assistindo ao jogo. Logo, mas um gol do flamengo. Comecei a ficar fora do controle e a sussurrar alguns palavrões sempre que o Botafogo errava a entrada do gol.
- Vai! - falei sem pensar em abaixar o tom da minha voz. O Botafogo estava a um passo de fazer o gol. Jéssica me olhou com repreensão, mas pedir silêncio era exigir demais do meu autocontrole. O atacante fez um passe longo e outro jogador chutou à gol. Finalmente! – GOOOL! GOOOL!!!! – levantei e tirei o casaco, deixando a camisa à mostra. Um bandeirinha marcou o impedimento, fiquei chocada – Que?! Como assim?! Tá maluco? Juiz ladrão porrada é solução! Juiz ladraaaã...
Abaixei o tom de voz parando no meio da palavra. Pude contar pelo menos vinte pares de olhos me encarando. Coloquei os braços na frente do corpo, tentando esconder a camisa, não por vergonha do símbolo que carregava no peito, mas sim por uma autodefesa. Dois homens de pelo menos trinta anos se levantaram e vieram na minha direção. Sentei e apenas cobri meu corpo com o casaco sujo de ovo.
- Seu lugar não é aqui, garota! – o mais moreno disse com a voz marrenta.
O pai da Jess se colocou entre nós.
- Foi mal aí, parceiro! – ele se desculpou – Ela tá com agente – ele fez sinal para Jess e Léo, ambos com a camisa do Flamengo – Leve na boa, prometo que vou mantê-la com a boca bem fechada.
- É bom mesmo, se não eu não me responsabilizo pela reação da galera.
Ele me olhou com certo desprezo, mas não me botou medo, continuei o encarando com deboche até que Jess me cutucou.
- Não provoque, Bruna Rangel! – ela sussurrou e eu desviei o olhar.
- Tá tudo bem, tudo bem… é só uma garota! Certo? – ele falou como se conhecesse cada torcedor ao nosso redor, por algum motivo, eles o obedeceram.
Não acreditei que Jess me levou a um lugar como esse. Tem flamenguista que tudo bem, mas outros… deixa pra lá. Sem ofensas pessoais. Fiquei com a boca fechada o resto da partida. O Flamengo fez mais um gol e eu fiquei revoltada, agora em silêncio, claro!
Quando voltamos pro carro, o transito estava infernal. Léo começou a rir.
- O que foi? – Jess perguntou.
- Você tem noção do quanto sua amiga teve sorte? Esses caras não costumam deixar pra depois, em qualquer torcida. A diferença é que era uma garota, mas de vez em quando nem as mais novas eles perdoam.
- O futebol mexe mesmo com as pessoas! – concluiu Jess.
- E ai, tio! – exclamei – Não me dar bronca? –perguntei, ele olhou rapidamente pra trás enquanto dirigia.
- Bruninha, seu time perdeu de lavada pro Mengão, você pagou o maior mico na frente da torcida e ainda está fedendo a ovo. Sinceramente, acho que não tem castigo melhor! – ele falou com entusiasmo. Léo e Jess riram.
- Vocês se acham mesmo muito engraçadinhos! Da próxima vez eu faço questão de comprar seus ingressos, mas vai ser pra arquibancada do Fogão! Com a camisa oficial.
- Nunca será! – eles debocharam.
- Veremos se eu não consigo…

Irmã caçula

Só quem tem irmã ou irmão caçula sabe. Rola stress, brigas e discussões constantemente. Geralmente o caçula tem a proteção materna na hora das discussões, as mães dizem que só estão ajudando porque eles não sabe se defender. Ora! Claro que sabem! Se provocam, também tem que saber ouvir bronca. São casos e acasos, acredite se quiser… às vezes o mais velho é mais imaturo que o caçula!
Existem diversos tipos de irmãos: os briguentos, os vingativos, os amáveis, os irritantes, os fofoqueiros, os que querem te imitar em tudo, e principalmente os que adoram perguntar…


DÉBORA...
MINHA IRMÃ TEM CADA IDÉIA!!


Já era tarde, eu estava fazendo um lanche na cozinha e minha irmã, Raquel, apareceu – como sempre! – e começou com um questionário.
- Porque o céu é azul? – Raquel, perguntou.
- Não sei, – respondi.
- Porque o Brasil se chama Brasil?
- Porque quando os portugueses chegaram aqui tinha muito Pau Brasil.
- Só tinha Pau Brasil?
- Naão, Raquel! Tinha outras árvores também.
- Então porque colocaram logo de Pau Brasil? Tem tanto nome bonito de árvore: Macieira, Eucalipto, Pereira.
- Porque você não pergunta pra quem descobriu o Brasil?
- Dã! – ela respondeu como se estivesse mesmo me corrigindo – Ele já deve ter voltado pra Portugal!
- Ele morreu há muito tempo!
- Morreu? Como alguém descobre um país e morre?
- Alooô… só porque você descobre uma coisa, não quer dizer que vai virar imortal!
- Mas devia!
- Tá bom, Raquel! – disse já sem paciência.
- Porque você nunca tem paciência comigo?
- Eu tenho paciência com você. Até demais!
- Porque até demais? Eu sou o tipo irritante de criança? Eu te tiro do sério? Ai, Déb! Eu gosto de você, a culpa não é minha se eu gosto de saber das coisas, mas não chego a ser chata, chego? Não, eu não chego! Sou uma criança muito esperta!
- E modesta também! – ironizei, mas ela não entendeu a piada.
- Eu sou irritante?
- Só às vezes.
- Por quê?
- Porque é, Raquel!
- Mas tem que ter um por quê. Tudo nessa vida tem um por quê! Que tipo de irritante eu sou?
- Irritante… irritante! Não tem classificação.
Ela ficou quieta por alguns segundos.
- Muito ou pouco irritante?
- AH! – gritei – Será que você não consegue calar a boca por cinco minutos?
- Eu falo bobagem?
- MUITA!
- Você não gosta de mim… - ela fez chantagem emocional.
- Claro que gosto, mais ainda quando está de boca fechada.
Coloquei o pão na torradeira.
- O que você vai querer ser quando crescer? – ela puxou assunto.
- Ainda não sei.
- Como não sabe? Todo mundo sabe!
- O que VOCÊ vai querer ser?
- EU? – ela indagou. Como se tivesse mais alguém a quem eu pudesse perguntar. – Quero ir pra Marte!
- Ir pra Marte? Isso não é uma profissão. O homem não pode ir pra marte!
- Se o homem não pode não é problema meu, as meninas podem! Você podia ir comigo!
- Nem homem, nem mulher, nem criança. Até hoje só tem robôs em marte.
- Ah! Porque eles podem e eu não? Sou forte!
- Eu sei que você é forte! – disse tocando a ponta do nariz dela – Muito forte, mas é que tem tantas profissões legais…
- Bom… - ela fez uma pausa enquanto sentava sobre a mesa – Tem outra profissão – abri a geladeira, peguei uma garrafa pet de um litro e bebi no “gargalo” – Eca! Que nojo, Débora!
- Não enche o saco! – estrilei bebendo mais um pouco – Fala, que outra profissão?
- Bom, eu li num jornal da escola que uma moça tinha ganhado mil reais por duas horas de trabalho.
- Duas horas?! – perguntei assustada.
- É! Não sei direito como é o trabalho, mas se é pra ganhar mil…
Eu ri. Até parece que ela sabe a importância dessa quantia em dinheiro.
- Que trabalho é esse? – perguntei curiosa.
- Já que eu não posso ir pra marte, vou ser garota de programa!
Eu engasguei. Minha irmã nem sabia o que era aquilo.
- NÃO! – gritei – Você não pode! Não repita isso pra ninguém, entendeu?
- Por quê? O que ela faz?
Limpei a garganta.
- Uma coisa muito feia, você não pode ser isso.
- Isso o que?
- Garota de programa!
- Mas você acabou de falar, como você não quer que eu fale se você fala?
- Só não fale mais, ok?
- Porque eu não vou falar se nem sei o que é?
- Exatamente por isso! – berrei – Quando não se tem certeza sobre algo, devemos ficar com a boca fechada.
- Mas o que as garotas de programa fazem? A Amanda, minha amiga, disse que elas mexem com programas de computador. Porque eu não posso mexer? Eu mexo no seu computador, Déb! Qual é o problema?
- Daqui a uns anos você vai saber.
- S eu não posso saber agora, então eu vou pra marte! – ela cruzou os braços – Vou descobrir se E.Ts existem, se falam a nossa língua, se são verdes, amarelos, vermelhos. Vou viajar numa nave espacial feita de chocolate e tomar sorvete todo dia.
- Esse é seu sonho? Sorvete e chocolate todo dia? Se fosse assim, você viraria uma bola!
- Não, bola eu nunca quis ser, só ir pra marte ou ser garota de…
- Se completar a frase, você morre! – ameacei.
- Tá bom, então eu vou pra marte!
- Mas não dá. Raquel, seja realista!
- Então eu vou ser garota de programa.
Eu suspirei.
- Tá bom, Raquel! Você pode ir pra Marte em uma nave espacial coberta de chocolate! Satisfeita?
Ela abriu um enorme sorriso e começou a correr pela casa.
25 de outubro de 2009

Amizades verdadeiras

Existe coisa melhor que ser rodeada por amizades verdadeiras? Verdadeiras mesmo! Do tipo que troca confidências, que não suporta ficar um dia sem bater papo(nem que seja pelo telefone!) e que mooorre de saudade em apenas um fim de semana. Não há nada melhor que a amizade, não há melhor que ter um ombro pra chorar, desabafar nos momentos deprês. Amigos de verdade não se importam com as diferenças, não segurem padrões sociais, e aceitam o outro com seus defeitos e qualidades. Por que afinal, como dizem por aí, ninguém é perfeito!

Bruna em... Noite do filme

Que minha opinião seja bem esclarecida. Garotas deveriam ser terminantemente proibidas de irem a locadora juntas, principalmente garotas com preferências tão distintas quanto nós.

- Filme de terror eu não assisto! - protestou Jess jogando a franja pra trás.

- Qual é o problema? - perguntei enquanto segurava a capa do filme em questão - Vai molhar o colchão se assistir?

Ela ignorou meu comentário.

- Na boa, prefiro um romance bem meloso e dramático. Com amores impossíveis e que claro, de preferência, o casal não morra no final.

- Eeeca, Jéssica! - Débora exclamou - Tudo menos isso! Sempre tem um casalzinho hiper apaixonado que não pode ficar junto por algum motivo. Mas no final, ou conseguem superar as barreiras ou fazem um pacto suicida.

- Nem todo romance se resume a "Romeu e Julieta", mas eu ainda prefiro o de terror! - Argumentei.

Cristina estava na sessão de comédia. Fomos até lá para saber a opinião dela sobre a discussão.

- Que tal "American Pie"? - ela sugeriu. Eu, Jéssica e Débora a olhamos com descrença.

- Quer trocar um romance super fofo por um filme de sacanagem?

- Não é de sacanagem, Jess! - Vociferou Cris.

- Fala sério! - tive que me intrometer - Se "American Pie" não é filme de sacanagem, o Jô Soares tem anorexia!

- Que saco, gente! Será que dá pra escolher logo? - Débora reclamou.

- Você tem alguma sugestão?

Jess perguntou em um tom de deboche enquanto - ainda! - olhava os DVDs de romance.

- Agente devia...

Débora parou no meio da frase. Percebemos que seu olhar estava fixo em algo ou alguém atrás de nós. Sem cerimônia, eu, Jess e Cris viramos nossas cabeças e pudemos ver três garotos entrando na locadora. O primeiro era moreno, tinha traços mexicanos e um estilo playboy. O segundo era alto, magro e tinha o cabelo espetado. Já o terceiro fazia mais a linha "skatista".

- O my good!

Jess exclamou sem se preocupar em regular a altura de sua voz. Cris lhe deu um tapa no ombro para que desviasse o olhar. De todas, Jess era a única que não podia paquerar, mas às vezes tinhamos que lembrá-la disso.

- Tá maluca? - perguntou Cristina.

- Qual o problema?

- Qual o problema, Jéssica Mendonça? - Cris perguntou ironicamente - Quer mesmo que eu responda em alto e bom som?

- Olha só... a santa....

- Não se faça de inocente! Como quer que o Léo te dê valor?

- O Léo é um idiota! Não sei porque ele ainda não me pediu em namoro. Como dizem por aí " Não deu assistência, perdeu pra concorrência".

- Mas ele vai pedir, isso é um fato. E você gosta dele.

Jess ficou com peso na consciência.

- Tá... eu sei. Mas esse moreninho...

Começamos a rir. O moreno estava à alguns metros de nós e tive certeza de que ouvira o comentário de Jéssica.

- Com licença. Será que você podia me ajudar a escolher? - o moreno perguntou enquanto se aproximava de Jess. Débora tentou prender o riso, e sua expressão angustiada não colaborou nem um pouco pra nossa tentativa de parecer centradas - Estou em dúvida entre um filme de ação ou um de terror bem assustador.

- Ação! - Jess respondeu sem pestanejar - Com certeza! Mas também depende, filme de ação policial já tá muito clichê.

- Porque tá muito clichê? - Cris quis saber - Eu adoro!

- Você gosta de qualquer porcaria.

- É verdade, Jess. Eu gosto de você!

- Ridícula!

- Calma, gente! Vocês vão acabar assustando o garoto, - Débora exclamou - entendi o que a Jess quis dizer, ação policial sempre o policial ou detetive só resolve o crime quando é afastado do caso, as explosões só acontecem em câmera lenta, o mocinho quase sempre é baleado, mas nunca morre no final.

- Eu nunca tinha pensado nisso, - admitiu o moreno.

- Não precisa. Vocês, garotos, nunca pensam muito mesmo. Deixe essa parte pra nós.

- A sua sorte é que eu adoro garotas espontâneas. Posso saber seu msn?

- Sabe qual é o problema? Mamãe me ensinou a não dar confiança pra estranhos.

- Ainda bem que eu só to pedindo o msn. Depois convenço sua mãe sobre a questão da confiança.

Débora pegou um panfleto da locadora e começou a escrever. Logo notei que nao era seu msn.

agenteseveporai@beijus

O garoto leu e fez uma cara, provavelmente nao quis parecer insistente. Minutos depois, ele e seus amigos saíram do estabelecimento.

- Porque você fez isso?! - Cris perguntou inconformada - Aquele não era seu msn.

- Fala sério! Tá na cara que ele é só mais um filhinho de papai que quer zoar. Sinceramente, não sou o tipo de garota que aceita isso.

- EU SOU! Gato desse jeito, pode ser filhinho de papai, de mamãe, de titia, de vovó...

Cris exclamou fazendo com que todas nós caíssemos na gargalhada. Ao fim de tudo, cada uma escolheu seu filme. Achamos que a discussão acabaria, mas ao chegarmos à casa de Jéssica, notamos que estávamos completamente enganadas.

- O de terror primeiro! - Ordenei.

- Não! American Pie primeiro!

- Não, Cris! Eu moro aqui, então tenho minhas prioridades. Vamos ver primeiro o de romance!

- Isso é abuso de poder! - Débora vociferou. - Noivas em guerra primeiro, pooor favor!

Ficamos em silêncio por alguns segundos.

- Vocês estão sentindo esse cheiro? - perguntei - Jess, você deixou alguma coisa no microondas antes de saírmos?

- Deixei, mas eu coloquei no ajuste de tempo automático. Era pipoca.

- Quantos minutos você marcou?

- Sei lá, Bruna! Não me lembro. Acho que dez.

- QUE?! - gritamos em coro.

- Eu não sabia. Tenho preguiça de ler embalagens, às vezes queimo até miojo!

Fomos até a cozinha e jogamos a pipoca no lixo. Tivemos que abrir as janelas pois o cheiro estava insuportável.

- E agora? - Cristina perguntou, mas logo teve a resposta.

Começamos a fazer guerra de almofadas. Lição número um sobre assistir filme com as amigas: dificilmente alguém assiste. Algumas vezes a maioria dorme, outras vezes ficam conversando (O que foi o nosso caso!) até que foi bom pois evitou uma bela briga.

Horas depois ligamos pro disk pizza.

- Giro Poit, boa noite! - A atendente falou. Jess colocou no viva-voz. Perguntei que sabores estavam disponíveis para o valor em dinheiro que tinhámos. - Só temos mussarela, provolone, calabresa e frango com catupiry.

- Provolone!

- Mussarela!

- Calabresa!

- Frango com catupiry!

Gritamos ao mesmo tempo, cada uma com sua preferência. Nossos olhares se encontraram e começamos a gargalhar. Cristina apertou o botão e desligou o telefone.

- Querem saber? Tenho uma idéia bem melhor! Jessica, você pode ficar só olhando se quiser.

Jess mostrou a lingua, como uma criança de cinco anos.

Fomos até a cozinha. Estávamos convictas de que não sairia nada meramente comestível de lá. O mais importante é que juntas nossas diferenças se misturam. Nos tornamos todas iguais, todas amigas!

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